sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Novembro


Novembro é um mês muito forte para os timorenses, em que a relação com a morte é mais intensa devido a duas datas: 2 de novembro que é Finados, um feriado católico e 12 de novembro, que foi quando ocorreu o massacre no cemitério de Santa Cruz. Em alguma postagem anterior falei um pouco sobre como foi o meu dia de finados aqui, agora nessa falo sobre o dia 12 de Novembro.
No inicio da decada de 70, ocorreu o Massacre do Cemitério de Santa Cruz. A milícia indonésia, a mando do governo Indonésio, matou muitos timorenses que se opunham a ditadura da Indonésia e que se refugiaram no cemitério. Na verdade, se você for ver o número de mortos, nota que na história ouve outras tragédias em proporções quantitativas maiores, mas como o Timor-Leste é um país pequeno, o que se pode pensar como pouco é muito. Sem queres fazer marketing, mas já fazendo, a Lucélia Santos fez um documentário muito bom sobre o Timor-Leste, que fala desse massacre.
O meu dia 12 de novembro foi um feriado aqui, na verdade os feriados são quase os mesmos do Brasil, graças ao catolicismo. A equipe de professores brasileiros decidiram fazer um campeonato de volei, então durante a manhã não vi nenhum evento, nenhuma manifestação. Durante a tarde eu procurei, mas também não achei nada. É interessante que eles, os timorenses, têm uma postura muito fechada para os estrangeiros: houve várias cerimônias e eventos, mas não é pra malae. A noite teve um envento no Palácio do Governo, com uma dança tradicional do Timor, que mostrava movimentos, roupas bem ritualísticas com chifres de búfalo e roupas de guerreiro , mas por outro lado, entrou um grupo de meninas vestidas como bailarinas, com penas e tudo mais, faz parte do pacote de ocidentalização... Foi somente essa apresentação que eu consegui ver, teve uma outra também que era pra malae, e que pra variar um pouco, vem mais um “causo” como boa mineira.Eu comentei anteriormente que havia a GNR aqui, que é a Guarda Nacional Republicana de Portugual – isso mesmo, os caras perdem o rei, mas num perde a majestade, olha o nome da polícia deles. Essa polícia está aqui no Timor com um quartel inteiro, auto suficiente, nela há tanto policiais comuns como a polícia de elite deles, e eles são financiados pela ONU. (Na verdade estou escrevendo isso pra me redimir da informação errada que eu postei um tempo atrás, eles não são políciais desempregados e que vem pra cá, por não ter oportunidades em Portugal. Eles vêem pra cá, porque é a obrigação deles. Mas, não fui tão equivocada quanto ao desemprego em Portugal, pois muitos professores de português que estão aqui, estão por não terem emprego lá. Isso foi um grupo de professores portugueses que me contaram.) Enfim, a GNR foi uma das primeiras polícias a vir pra cá, quando chegaram só havia tropas da Austrália e da Nova Zelândia e foi o grupo que, nem sei bem como dizer isso, mas que mais, como eles diriam (deixo esse pepino pra eles), trabalhou e colocou a ordem aqui. Eu tenho um grande amigo que faz parte dA GNR e segundo ele, no ínicio do processo de independência, todos os dias era ir para a rua para acabar com os conflitos internos aqui do Timor-Leste, não havia folga, o país estava realmente tenso. Hoje aqui está muito tranquilo, mas sabe-se lá até quando. Sempre que tem algum evento, uma data importante, as polícias internacionais e timorense são acionadas e vão para os lugares determinados. No dia 12 de novembro desse ano, a GNR estava lá no Cemitério de Santa Cruz, na intenção de evitar uma outra marca. Então não é que sai um monte de timorenses correndo do cemitério, e todos tiveram um flash back – tiraram os cacetetes e tudo mais para evitar qualquer conflito, mater a tranquilidade aqui. Todos os timorenses pararam e ficaram assustados. Ah, os timorenses estavam fazendo um ensaio ou uma resconstituição do massacre, só que a polícia que foi designada para trabalhar lá, não tinha essa informação...

Nenhum comentário: